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Travas Emocionais: Filmes, Seriados e Animações para você identificar as suas

Meu foco principal neste artigo vai para os filmes franceses, conhecidos há tempo por abordagens maduras de cunho psicológico e emocional, incluindo pitadas de drama e comédia – embora nem sempre estejam sendo divulgados nas mídias de massa ou listados nos blockbusters norte-americanos, vale muito à pena assisti-los com uma boa pipoca! Junto deles, também incluo algumas dicas da cinematografia européia.

Já relativo às animações, o olhar vai principalmente para a filmografia desenvolvida pelos Studios Ghibli (de Hayao Miyazaki) e Cartoon Saloon, famosos por nos tocar profundamente através dos mitos, contos e lendas que atravessam gerações ao redor do mundo.

Animações do Studio Cartoon Saloon (Irlanda)

Faço menção a esta lista, que você confere a seguir, com o objetivo de gerarmos reflexões acerca dos modelos psicológicos que herdamos, dos padrões de comportamento que nos identificamos e desenvolvemos, das crenças limitantes que podem surgir do meio cultural, social e religioso no qual fomos criados ou no qual ainda vivemos. Incluem-se as consequências geradas por elas em nossas vidas e dentro dos relacionamentos que estabelecemos, seja relativo aos vínculos familiares e escolhas profissionais, seja no que tange aos relacionamentos afetivos e amorosos. Todo esse cenário contém em si o que chamamos de “travas emocionais”, aquelas nos impedem de progredir e evoluir.

Através de um olhar terapêutico, tendo por base a Constelação Sistêmica e Familiar e a ativação do nosso observador interno por meio do trabalho interior diário – que nos leva em direção à consciência pessoal, ao autocuidado e à autorrealização – podemos ter e desenvolver por nós mesmos ferramentas afiadas para chegarmos às respostas de muitas das nossas perguntas. Com este observador interno ativado, convido você a assistir essas obras cinematográficas encarando-as como uma jornada interior.

Cena da animação “Wolfwalkers” – mesmo sendo um longa irlandês baseado em fatos reais da história do país, faz alusão direta a contos e mitos que encontramos no livro eternizado: “Mulheres que correm com os lobos”, de Clarissa Pínkola.

Por meio delas, você poderá identificar-se com os personagens, com a realidade vigente, com o meio cultural, religioso, social e comportamental, e assim, colocando-se no lugar deles, ativar o seu observador interno para trazer à luz da consciência os mecanismos internos que podem estar travando a sua vida, as suas ações, o seu progresso em direção aos seus projetos e objetivos, da mesma forma os seus relacionamentos. Alguns dos filmes e animações mencionadas podem, também, nos trazer clareza relativo a como está a relação com a nossa criança interior dentro do contexto familiar e pessoal atual enquanto adultos.

Entre minhas ferramentas de trabalho terapêutico, filmes, seriados, animações e vídeos também são parte integrante de uma engrenagem terapêutica maior, que servem como um espelho. Em geral, são capazes de nos mostrar aspectos ocultos que insistimos em negar, esconder, reprimir, bloquear ou mesmo racionalizar. Isso nos ajuda a encontrarmos soluções e saídas para dilemas pessoais, profissionais, familiares e afetivos – as famosas encruzilhadas da vida.

Desejo que você possa encontrar pérolas mergulhando fundo nessa jornada de autoconhecimento pelos seus oceanos interiores, reencontrando a força e a vitalidade das suas raízes, principalmente quando se é capaz de liberar e transformar o que não serve mais, transformando em adubo para a terra fértil dos nossos talentos, sonhos e objetivos. Namaste!

Fazer o espectador pensar é a urgência do filme: “Entre os Muros da Escola”. Qual o papel do educador na sociedade? Como trabalhar e conviver com o diferente? Como combater a exclusão e o xenofobismo? Em que resulta o convívio forçado entre culturas distintas? Como agir de forma ética na profissão? Como lidar com jogos de poder e conflito? Qual o limite da liberdade? A escola consegue cumprir seu papel social? O bombardeio de perguntas torna-se inevitável para o espectador, com tamanha riqueza semântica. Assista!

FILMES

  • Entre Os Muros Da Escola (“Entre les murs– 2008), de Laurent Cantet. Este é um filme que coleciona prêmios europeus e uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Se passa numa escola localizada em um bairro cheio de conflitos, com alunos problemáticos. O desafio do professor François é grande e, justamente por isso, a empreitada é cheia de reviravoltas, desafios e, ao mesmo tempo, humanamente linda! É para rir, chorar, se emocionar, tudo ao mesmo tempo. SINOPSE: François e seus colegas professores preparam o novo ano letivo em uma difícil escola da periferia parisiense. Munidos das melhores intenções, eles se apoiam mutuamente para manter vivo o estímulo de dar a melhor educação a seus alunos. A sala de aula, um microcosmo da França contemporânea, testemunha os choques entre as diferentes culturas. E por mais inspiradores e divertidos que sejam os adolescentes, seu difícil comportamento pode acabar com qualquer entusiasmo de professores mal pagos.
  • Um Banho de Vida (“Le Grand Bain”/ “Sink or Swim” – 2018) – Drama-comédia imperdível. SINOPSE: homens na meia-idade, a maioria depressivos e com baixa auto-estima, acabam formando um time de nado sincronizado. Agora, imagine esse cenário quando esses homens são dirigidos por treinadoras que também possuem desafios de vida, tendo que lidar com seus próprios traumas. Uma obra muito sensível, engraçada e psicológica, abordando questões como deficiência física, ansiedade, depressão, falta de autoconfiança e propósito de vida, esquizofrenia, separação e parceria conjugal e, acima de tudo isso, o poder do amor e da expressão dos nossos talentos e sonhos!
  • Eu não sou um homem fácil (“I am not an easy man” – 2018), de Éléonore Pourriat. SINOPSE: Um machista inveterado sofre um acidente e, quando acorda, se vê em um mundo em que os papéis sociais estão todos invertidos. As mulheres são chefes e saem para trabalhar (com comportamento e vestimentas masculinas), enquanto os homens ficam em casa e desenvolvem atividades que mulheres tendem a desempenhar. O conflito que isso causa no personagem é um convite à reflexão sobre como nosso mundo funciona até hoje, principalmente relativo às diferenças de gênero que ainda ocorrem. Imperdível! Para ver e rever!
  • Philomena – 2013, de Stephen Frears – produção britânica). O filme é baseado em fatos reais e foi indicado a 4 Oscars. Nos mostra o quanto as crenças e pré-conceitos sociais e religiosos podem criar feridas incuráveis, seguindo por gerações. A obra até procura abrandar a história em forma de drama-comédia, mas ao final nos traz reflexões profundas do quanto, muitas vezes, se cria distrações e alívios para esquecer um passado traumático, vivendo a rotina através das nossas “partes de sobrevivência”. SINOPSE: m ex-jornalista é demitido do Partido Trabalhista em desgraça, ele não sabe o que fazer. Isso muda quando uma jovem irlandesa o aborda sobre uma história de sua mãe, Philomena Lee (Dame Judi Dench), que teve seu filho levado embora quando era uma adolescente que foi confinada em um convento católico. Martin arranja uma matéria para uma revista sobre sua busca por ele, que eventualmente a leva à América. Ao longo do caminho, Martin e Philomena descobrem tanto sobre o outro quanto sobre o destino de seu filho. Ambos têm suas crenças básicas desafiadas. [Como o título diz, segue a história com imagens reais do que era chamado na Irlanda de As Lavanderias de Madalena, uma espécie de convento-asilo cuja “necessidade” nasceu como forma de punição para “mulheres desviadas”, principalmente mães solteiras, que eram consideradas a vergonha da sociedade, tendo que ser “purificadas e lavadas” pelos preceitos religiosos da época].
  • Sete Minutos Depois da Meia-Noite (“A Monster Calls” – 2016), de Juan Antonio, Bayona – produção anglo-espanhola. É uma história comovente que envolve lições de vida de como lidar com o luto sob a perspectiva de uma criança (recomendado para maiores de 12 anos). É baseada num livro e trata também de muitos aspectos traumáticos que envolvem esta fase infanto-juvenil, mesclada com os problemas encontrados dentro da própria família de origem. SINOPSE: Conor é um garoto de 13 anos de idade, com muitos problemas na vida. Seu pai é ausente, a mãe sofre com uma doença terminal, a avó também tem problemas, e ele é maltratado na escola pelos colegas. No entanto, todas as noites Conor tem o mesmo sonho, com uma gigantesca árvore que decide contar histórias para ele em troca de escutar as histórias do garoto. Embora as conversas com a árvore tenham consequências na vida real, elas ajudam-no a escapar das dificuldades através do mundo da fantasia.
“Sete Minutos Depois da Meia-Noite”: um filme que nos coloca frente à frente com a criança interior, os desafios de viver em uma família disfuncional e como lidar para superar traumas. Sensível e profundo.
  • Intocáveis (“The Intouchables” – 2011), de Olivier Nakache e Éric Toledano. Baseado em fatos reais, um filme maravilhoso e inspirado na autobiografia: “Uma improvável amizade”, de Abdel Yasmin Sellou, um dos protagonistas desta história. No livro, Sellou explica sua amizade com o conde Philippe, que ficou tetraplégico após um acidente de paraquedas. Além de um dos filmes franceses de maior sucesso da história, tornou-se uma referência no que diz respeito às necessidades especiais, uma vez que se afasta de um retrato do sofrimento e nos leva a uma visão mais natural, menos trágica e mais positiva. Aborda a cumplicidade, as diferenças sociais, de classe e de cultura.
  • Uma Doce Mentira (“Beautiful Lies”)2010, de Pierre Salvadori (Com Audrey Tauto). A obra conta a história de uma cabeleireira que resolve mudar a vida de sua mãe (que se vê triste e infeliz) enviando-lhe uma carta de amor secreta. O filme contém um misto de drama, comédia e psicologia: atente para todos os detalhes! Quando falamos que a mãe é a responsável por autorizar o(a) filho(a) para o mundo, esta é uma obra impagável que demonstra, de forma explícita e patológica, o emaranhamento que existe nas relações entre mãe e filha, onde uma impede a outra de ser feliz por lealdade. Da mesma forma, aborda um exemplo clássico de quando as ordens do amor na hierarquia familiar estão invertidas (visão da constelação familiar de Bert Hellinger).
  • Os Nomes do Amor (“Le nom des gens – 2010), de Michel Leclerc. Ótimo humor, política, romance e crítica social em um só pacote. Toda a força do filme está no fato dos personagens serem bem desenvolvidos e também por passarem por uma espécie de auto-análise constante (o diálogo com o espectador). A premissa é um convite a reflexões sobre preconceito, julgamentos, diferenças sociais, culturais, religiosas e de classe (e quando tudo isso se mescla através de um casamento, como fica a vida?), além de bom humor e diálogos inteligentes. SINOPSE: Báhia, jovem de origem árabe, esquerdista, pacifista, ambientalista, dorme com todas as pessoas que pensam o contrário dela, tentando convertê-los. A história muda quando se apaixona por Arthur, um biólogo sério, reprimido e conservador.
  • A Voz do Coração (“Les choristes”/ “The Chorus”2004), de Christophe Barratier. Filme lindo e aclamado, vencedor de vários prêmios. Uma obra de extrema sensibilidade, cuja figura do professor é capaz de enxergar e estimular as potencialidades dos seus alunos, mesmo diante da repressão e rigidez da época. Além de maravilhoso, é um exemplo para refletirmos sobre a qualificação da educação no Brasil. Trabalhar para que a música seja disciplina obrigatória em toda rede pública não seria um sonho longínquo: quem sabe teríamos menos crianças e jovens agressivos e dependentes de drogas. SINOPSE: Um internato para meninos órfãos e socialmente desajustados é dirigido com mãos de ferro pelo inflexível Sr. Rachin, a quem os garotos temem, mas não respeitam. Quando o professor Clément Mathieu chega para dar aulas, encontra crianças e adolescentes hostis e difíceis de disciplinar, acostumados a combater os métodos repressivos do internato. Com sua formação musical, entretanto, Mathieu desenvolve um jeito criativo e eficiente de cativar os garotos formando um coral e revolucionando os métodos de ensino locais da época.


Inspirado em histórias reais, “Modern Love” traz a leveza, a sensibilidade, a profundidade emocional e surpreende à cada episódio!

SERIADOS

  1. Modern Love (Amor Moderno – 1ª Temporada – Seriado da Amazon Prime – 2019) – Baseado em histórias reais, o seriado traz abordagens muito maduras e corajosas sobre a representatividade das muitas formas de amor entre pessoas de diferentes idades e realidades. Além dos episódios serem muito bem dirigidos e conterem profundidade emocional, os atores estão maravilhosos em seus papéis. A Série aborda temas como bipolaridade, gravidez sem planejamento, mulheres que se candidatam para serem “barrigas de aluguel”, processo de adoção por casal homossexual, entre outras histórias nada convencionais, mas surpreendentes. Vale à pena ver e rever!
  2. História de um Casamento (“Marryage Story” – 2019): Seriado é um retrato profundo e sensível de um casal que tenta manter a família unida mesmo em meio ao processo doloroso de uma separação. É uma oportunidade para avaliarmos e refletirmos sobre padrões psicológicos, de comportamento e pensamento herdados ou desenvolvidos ao longo da vida. Do diretor indicado ao Oscar: Noah Baumbach, Scarlett Johansson e Adam Driver arrebentam em cenas viscerais.

Definitivamente, “Wolfwalkers” é uma obra de arte!

ANIMAÇÕES

  1. As Meninas que correm com os lobos (“Wolfwalkers – 2020), um longa irlandês de Tomm Moore (o mesmo criador e produtor de “Song of The Sea”: A Canção do Mar) e Ross Stewart, está cotado ao Oscar de Melhor Animação. Num misto de magia, lendas e imagens belíssimas, a obra é baseada num cenário verídico dentro da história da Irlanda. O país estava passando pelas Guerras Confederadas Irlandesas, marcada por conflitos políticos, sociais e religiosos. A cidade em questão era a base da Confederação Católica Irlandesa, e, por conta disso, o texto traz aspectos religiosos como conflito da história através dos discursos autoritários e autocráticos do personagem Lorde Protetor. A partir de um pretexto de bruxaria e paganismo, este se utiliza do nome da Igreja para justificar as suas ações de destruir a floresta e caçar os wolfwalkers. Dentro deste cunho histórico, além da beleza artística e deslumbrante das cenas, da sensibilidade emocional, ainda há um pé nas lendas (inclusive mencionadas na obra eternizada de Clarissa Pínkola: Mulheres que correm com os lobos) e o dilema vivido pela jovem protagonista na sua jornada de superação e libertação das crenças e princípios autoritários e preconceituosos da época. Abordando uma temática polêmica como a religião, também faz paralelos bastante atuais com líderes que se utilizam da crença de fiéis como forma de poder, justificando seus mandos e discursos de ódio em nome do divino.
  2. A Ganha-pão (“The Breadwinner – 2017), de Nora Twomey, com produção de Angelina Joly. SINOPSE: Em 2001, o Afeganistão estava sob o controle do Talibã. Quando o pai de Parvana – a jovem protagonista – é capturado, a filha está determinada a se passar por um garoto para salvar sua família. A premissa parece simples e um tanto “clichê”, no entanto, a animação ganhou prêmios por ser uma obra que nos encoraja a manter a esperança e a tocar em temas de desigualdades profundas em meio a um momento com tantos discursos de ódio.
  3. Divertida Mente (“Inside Out” – 2016) – O filme foi um sucesso de crítica e bilheteria, indicado para pais, psicólogos, terapeutas, educadores e todos os que desejam compreender melhor a relação com a criança interior. A história fala de Riley, uma garota de 11 anos que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal. Desde seu nascimento, dentro do cérebro da pequena menina, convivem várias emoções diferentes como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A animação virou livro ilustrado, é usada em escolas e como referência no que tange às abordagens dos tipos de personalidade e caráter na psicologia. Leia o artigo completo sobre o filme aqui!
  4. As Memórias de Marnie (“When Marnie Was There” – 2014 – Studio Ghibli) – Um bela e profunda história que se assemelha a um trabalho de Constelação Familiar. Narra a história de Lindo cenário, linda trilha sonora!
  5. O CONTO DA PRINCESA KAGUYA (“The Tale of Princess Kaguya” – 2013 – Studio Ghibli –) – Uma história baseada em um conto japonês. Trata da superação emocional, da quebra de padrões e tradições familiares para viver a própria essência e valores, assim como a libertação de uma prisão emocional. Lindo cenário e trilha sonora!

Fonte complementar: 1. IMDB (Internet Movie Database) | 2. Adoro Cinema | 3. Mais sobre animações marcantes com profundidade emocional e abordagens culturais diferenciadas: 3.1 Desenhos Animados: Entretenimento e Profundidade Emocional| 3.2 Desenhos Animados: Ressignificando Condicionamentos

Por Luciane Strähuber – Educadora, Consultora e Terapeuta Integrativa

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