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Sons que Curam: O Legado do médico que usou a Terapia do Som no tratamento de câncer

Honrando o legado e o belo trabalho do médico integrativo Mitchell Gaynor, e fazendo jus ao poder curativo e harmonizador das tigelas tibetanas e de cristal de quartzo, dedico essa matéria a todas as pessoas que usam o som de um instrumento, de uma música, de uma frequência sonora ou mesmo da sua própria voz como forma de harmonização, de equilíbrio interior e de sentir-se em comunhão com a Vida que pulsa!

Dedico também a todos os profissionais que atuam na área da saúde e que visam a prevenção e o bem estar, trabalhando com dedicação para promover o equilíbrio do ser através das infinitas possibilidades que a terapia do som e a musicoterapia nos trazem, tanto para crianças quanto para adultos e idosos.

Mitchell Gaynor foi um famoso pioneiro no campo da oncologia integrativa por 30 anos. Foi médico, escritor, palestrante e compositor de meditações de cura das que chamou de som original. Ainda deixou um histórico notável nos tratamentos de doenças crônicas, particularmente o câncer, com terapias cientificamente fundamentadas que ampliaram as modalidades tradicionais, incluindo o uso de tigelas tibetanas, gongos, taças de cristal e tambor em seus atendimentos com pacientes crônicos.

Dr. Mitchell Gaynor (1956 – 2015) foi Fundador e Diretor da Gaynor Oncologia Médica e Gaynor Medicina Integrativa, atuando no Centro Strang-Cornell de Prevenção ao Câncer, em Nova York.

Autor de várias obras sobre as possibilidades de cura de doenças crônicas através da terapia do som, em seu último livro: “A Terapia Gênica – plano para tomar o controle de seu destino genético através de dieta e estilo de vida”, forneceu uma abordagem revolucionária para reverter danos genéticos associados ao envelhecimento, ao câncer, à obesidade e ao diabetes, objetivando prevenir a deterioração de futuros genes através de programas específicos, apropriados para quem quer maximizar a longevidade para si, seus filhos e às gerações futuras.

Nas suas inserções com seus pacientes, começou a ver resultados impressionantes de pessoas se harmonizando internamente diante de situações que envolviam muito medo, ansiedade e preocupação. Descobriu nos seus estudos que cantos específicos, como a música clássica, podem alterar as ondas cerebrais para alfa e teta, por exemplo, levando a pessoa para estados de profundo relaxamento. Assim como no sistema imunológico, níveis de imunoglobina no sangue aumentam, afetando positivamente o corpo como um todo a nível celular.

SONS QUE CURAM

Os sons vem sendo utilizados há milênios através de meditações, cerimônias de cura ou cantos ritualísticos, usados com fins de purificação e equilíbrio interior. Eles nos proporcionam uma harmonia que nos conecta além da mente lógica, percorrendo nossas profundezas emocionais e da alma, e despertando o ser para sua própria cura, seja do corpo, da mente, seja das emoções ou mesmo do espírito.

A tigela ou taça de som tibetana é um exemplo de instrumento completo, utilizado para equilibrar o trinômio corpo-emoções-mente, cujo som emitido por ela é usado como meio de promover um relaxamento profundo e regenerador. Sua vibração atua a nível celular, passando pelos tecidos, músculos e líquidos do corpo, chegando nos ossos e provocando um fluxo de energia que percorre todo o corpo, podendo dissolver bloqueios a nível físico, mental, emocional e energético.

Atua no organismo humano harmonizando toda sua estrutura e abrindo passagem para a cura em todos os planos, físico, mental, emocional e espiritual, despertando o poder curativo interior que já reside em nosso corpo e ser. Nesse processo de propagação do som, o corpo é estimulado, atingindo os sistemas linfático, endócrino e imunitário. Além disso, é possível que o estado de consciência meditativa seja acessado por meio da frequência sonora emitida.

O motivo pelo qual as tigelas tibetanas podem ser tão curativas e harmonizadoras vem do fato de que são produzidas manualmente, com diferentes ligas de vários metais, podendo chegar até 14 tipos – os monges já sabem disso há séculos. Como resultado dessa estrutura metálica, torna-se um instrumento com efeitos terapêuticos. São produzidas principalmente no Tibete e Nepal, local de origem, sendo utilizadas pelas suas potencialidades espirituais e terapêuticas.

As tigelas têm tamanhos diferentes e cada uma possui uma vibração particular. Existem no mercado as tigelas decorativas que diferem das tigelas produzidas com fins terapêuticos, uma vez que as primeiras não são capazes de alterar o estado de consciência ou a energia, seja das pessoas presentes ou mesmo do ambiente, tanto de quem escuta quanto de quem as toca. Em tradições antigas indianas e xamânicas, os processos de cura com as tigelas eram utilizados juntos ao trabalho com ervas e mantras.

Sessão de terapia do som: tigelas tibetanas sobre o corpo

Nos processos realizados no ocidente, as tigelas são utilizadas sobre o corpo da pessoa, direcionando a frequência do som sobre os chakras ou pontos de energia que precisam ser trabalhados. A terapia pode estar associada também ao uso de florais e cristais. Podem ser utilizadas também em dinâmicas, cursos e vivências grupais com resultados muito positivos. Os efeitos sonoros e a vibração emitida pelas tigelas ressoam de forma que os efeitos benéficos do tratamento são sentidos de imediato.

As tensões musculares vão se dissolvendo, a respiração vai se equilibrando e se tornando cada vez mais uniforme e calma. Sua utilização é um grande auxiliar nos processos terapêuticos e também em vivências que visam o autoconhecimento e a autocura, principalmente em casos que requerem recuperação do estado de saúde, reorganização do campo eletromagnético derivado de estresse, por exemplo, ou uma necessidade de modificação do padrão mental ou emocional vigente.

Um exemplo disso foi confirmado por Gaynor no seu livro “Sons que Curam” – um dos únicos traduzidos para o Brasil – quando relata as mudanças que começaram a ocorrer em um de seus pacientes ao tocar as bordas das tigelas enquanto entoava mantras: “Comecei a bater na borda das tigelas, uma após outra, ao mesmo tempo em que entoava os mantras monossilábicos. Eu podia sentir que ele estava um tanto apreensivo, fato perfeitamente compreensivo, visto que para ele essa experiência era algo inédito. Depois de um ou dois minutos, porém, ele começou a relaxar.

Sua respiração ficou mais profunda e uniforme, e sua voz ficou mais firme enquanto ele me acompanhava recitando os mantras. O efeito calmante do som, ao reverberar através e em torno dele, era visível na sua fisionomia, que deixou de expressar ansiedade e passou a transmitir a sensação de tranqüilidade e aceitação. Eu também podia ver sua energia se transformando quando ele começou a se recuperar do terrível pesadelo que havia consumido seus dias e noites.”

Sessão de terapia com tigelas tibetanas

ENTREVISTA E HISTÓRICO

A seguir, uma entrevista fascinante com o Dr. Gaynor, autorizada para publicação por Bill Thomsom – conforme site oficial relacionado no final deste artigo. Gaynor usou ativamente a terapia do som em sua prática de oncologia integrativa, deixando um legado para o Ocidente e a prova de que a terapia do som tem atuação benéfica e profunda sobre o corpo, a mente, as emoções e o espírito.

  • Como você descobriu as tigelas tibetanas e sua utilidade na cura?

Gaynor: Bem, eu cuidei de um monge tibetano em 1991. Sou um especialista em câncer e também um hematologista, e eu estava trabalhando com visualizações e meditação com meus pacientes desde meados da década de 1980. Fui solicitado para ver este monge tibetano no centro médico de Cornell para um problema médico de rotina, que era anemia. Mas ele estava sofrendo de uma doença muito grave que estava destruindo seu músculo cardíaco chamado cardiomiopatia. Conversei com ele sobre o que poderíamos fazer para sua anemia e que tipo de diagnóstico faríamos.

Eu sempre converso com meus pacientes em um nível aprofundado sobre o que está acontecendo em suas vidas e notei uma tremenda sensação de tristeza e resignação em seus olhos. Então, pedi a ele para me contar sobre sua vida e ele se lembrou de uma época em que tinha 3 anos de idade, vivendo como um refugiado tibetano na Índia.

Seus pais eram muito pobres e não podiam mais alimentar nem a ele nem seu irmão, então tiveram de levá-los para um orfanato administrado por monges budistas tibetanos. Ele se lembra de ver seus pais se afastarem, estendeu a mão através da cerca e pediu para não saírem, e você poderia realmente sentir seu senso de angústia. Eu não acho que isso foi uma coincidência: que em um nível emocional ele tinha um coração partido e em um nível físico ele estava sofrendo, literalmente, de um coração partido.

Ele saiu do hospital cerca de 2 semanas mais tarde e me deu como presente uma tigela de metal tibetana. Eu nunca tinha ouvido uma antes, nem sabia que elas existiam. Mas, estava tomado pelos tons e sobre-tons, e podia literalmente senti-los passando por cada célula do meu corpo. Eu não podia apenas ouvir com meus ouvidos, mas sentir por todo o meu corpo. Então, imaginei que seria uma coisa excelente para os pacientes que estavam lidando com doenças graves.

Comecei a trabalhar com as tigelas com os meus pacientes e os resultados foram fenomenais. Pessoas que estavam lidando com muito medo e muita preocupação foram capazes de entrar em sua própria harmonia interior. Isso é algo que todos nós temos, mas a maioria de nós não sabe que existe. Essa é uma harmonia profunda dentro de nós que quando aprendemos a viver e criar a partir disso, tudo em nossa vida começa a se transformar.

Vi isso funcionar com problemas conjugais, estresse relacionado ao trabalho ou doença. Tudo começa a parecer completamente diferente. O som nos afeta de muitas maneiras. O som nos afeta a nível fisiológico. O cientista em mim quis entender como as pessoas estavam tendo tais reviravoltas milagrosas em toda a sua perspectiva sobre a vida! As pessoas que viviam no medo todos os dias foram de repente capazes de realmente viver no momento. Foi quando comecei a estudar a forma como o som pode curar e transformar. Eu descobri que cantos gregorianos ou música clássica podem mudar nossas ondas cerebrais para ondas alfa e teta que são muito relaxantes.

O som pode mudar nossa função imune. Depois de cantar ou ouvir certas formas de música, seu nível Interluken-1, um índice de seu sistema imunológico, sobe entre 12,5% e e 15%. Não só isso, cerca de 20 minutos depois de ouvir este tipo de música meditativa, seus níveis de imunoglobina no sangue são significativamente aumentados. Não há nenhuma parte de nosso corpo que não seja afetada. Mesmo o nosso ritmo cardíaco e pressão arterial são reduzidos com certas formas de música. Assim, afeta não apenas nossa alma e nosso espírito, mas nos afeta literalmente em um nível celular e sub-celular.

Dr. Gaynor tocando as taças de cristal de quartzo
  • São as taças de metal as únicas que você costuma usar?

Gaynor: Eu também uso tigelas de cristal de quartzo. Estes são feitos dos mesmos cristais de quartzo que os microchips. Elas podem ser ajustadas a qualquer nota e são incríveis. Quando você toca, elas trazem todos os tipos de tons e harmônicos em sua “própria voz”. Isso também pode ser muito curativo. Acho que é muito importante para nós trazermos de volta alguma sabedoria antiga. Quando eu comecei a olhar para o som e a cura, descobri que cada cultura sobre a Terra tem usado o som, a voz e a música como parte de seus rituais de cura.

Seja os Sufis e seus cantos ou os cantos budistas tibetanos, os mantras usados ​​no Yoga ou os cantos gregorianos cantados nas Vésperas, seja as orações da Cabala judaica (onde eles acreditam que todo som de vogal é um som divino), todos estes, até mesmo os cantos africanos em rituais e as canções nativas americanas que usam tons e sons virtualmente idênticos para provocar um estado meditativo profundo. Portanto, não requer acreditar em qualquer dogma. Esses sons nos afetam em nível fisiológico, espiritual e emocional.

  • Que outros instrumentos tradicionalmente funcionaram bem na cura?

Gaynor: O tambor também pode ser muito eficaz e há uma seção de recursos no meu livro sobre diferentes formas de música. Você realmente tem que encontrar com o que você ressoa. Sempre que você está estressado, você tem hormônios do estresse que são elevados em seu corpo, chamados “cortizol” e ACTH, mediadores de um monte de efeitos negativos do estresse em seu corpo.

Por exemplo, farão com que sua pressão sanguínea suba e deprima seu sistema imunológico. Tem sido descoberto que se as pessoas são autorizadas a ouvir qualquer música de sua escolha durante os procedimentos médicos, isso irá reduzir significativamente a quantidade de hormônios do estresse que estão sendo liberados.

Podemos olhar para nós mesmos como vibração, e assim o tom, a voz e a música nos afetam em todos os níveis. É importante saber que você está exposto à desarmonia todos os dias. Carros buzinando em você em um engarrafamento, uma moto-serra quando você está andando ao longo da rua, ou alguém gritando com você. Mas todas essas coisas podem ser remediadas. Precisamos de tempo para re-afinar nossos corpos, como se fosse um bom instrumento. A maneira de fazer isso é levar 15 ou 20 minutos na parte da manhã e outros poucos minutos, antes de ir dormir à noite, para se concentrar em sua própria harmonia interior.

  • Então, você está dizendo que a ruptura da harmonia nos deixa abertos à doença?

Gaynor: Absolutamente. Na verdade, a doença é uma forma de desarmonia. Acho que é um pouco ingênuo da profissão médica pensar que você pode permitir que as pessoas continuem com estresse e depressão, pessimismo e frustração todos os dias de suas vidas e não acreditar que eventualmente irá se manifestar de alguma forma. Mas, se você quer harmonia em sua vida, harmonia em seu corpo e em seu mundo, você tem que encontrar sua própria harmonia interior. Isso existe em cada um de nós, e quando você aprende a acessá-la, toda a sua vida começa a se transformar milagrosamente. É assim que todos nós estávamos destinados a viver cada dia de nossas vidas.

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte original da entrevista: http://www.delamora.life/sound-therapy/cancer-sound-healing/ – Traduzido por Sat Kriya Kaur.

Livros publicados por Dr. Mitchell Gaynor no Brasil: “Sons que Curam” | Livros publicados fora do Brasil, na Amazon: https://www.amazon.com/Mitchell-L.-Gaynor/e/B001IXNVL8%3Fref=dbs_a_mng_rwt_scns_share | Depois do seu falecimento (2015), este livro foi continuado pelo Dr. Mehmet C. Oz, publicado em 2016: “The Gene Therapy Plan” | CD’s de meditação e músicas que curam: https://www.soundstrue.com/store/mitchell-gaynor-5490.html | Site oficial de Gaynor Integrative Oncology: http://www.gaynorwellness.com/

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